Autor: Tiago Valenciano

O Templo no Rito Schröder

1460116_621558291234957_578118553_nDesde sua criação, o Rito Schröder tem apoiado suas fundações, sua essência e seus trabalhos no humanismo e na simplicidade, e com o Templo do Rito não poderia ser diferente. Qualquer sala, desde que seja retangular, que esteja em um só plano e apresente a discrição exigida pelos trabalhos maçônicos, pode ser transformada em um Templo.

Na Oficina, a porta de entrada é única e localiza-se no Ocidente. Não existem Colunas decorativas em seu interior, nem adornos e acessórios que não tenham relação direta com o desenvolvimento da ritualística. Não são necessárias quaisquer decorações nas paredes ou no teto, podendo estes ser simplesmente pintados de azul.

Também não existe exigência no que tange a forma ou a cor dos móveis da Loja, podendo ser o Altar e as demais mesas cobertas por uma toalha também da cor azul.No centro da Oficina, exatamente onde se cruzam os eixos horizontal e vertical do piso, deve estar o Tapete.

Em torno do Tapete estarão três Colunas portando cada uma delas uma grande vela representando assim as três pequenas luzes da Maçonaria, estando a Coluna da Sabedoria no Nordeste, a Coluna da Força no Noroeste e a Coluna da Beleza na metade da orla Sul do Tapete. Estas colunas deverão ter cerca de 1,20 m de altura e conter abafadores para que sejam apagadas as pequenas luzes no encerramento dos trabalhos.

O Venerável Mestre, seu Altar, os Mestres portadores de Esquadro (Mestres Instalados) e Grandes Dignidades serão os únicos a ocuparem o Oriente, todos os outros Irmãos, Oficiais e suas mesas ficarão no Ocidente. O 1° Vigilante fica ao lado da Coluna da Força, imediatamente junto à porta Ocidental do Tapete e deve estar voltado para o Oriente, à sua esquerda estará o Segundo Diácono. O 2° Vigilante fica junto à Coluna da Beleza e imediata e conseqüentemente junto à porta Sul do Tapete devendo estar voltado para o Norte (na Cerimônia de Iniciação os Vigilantes afastam suas mesas para o bom transcorrer dos trabalhos). O Tesoureiro e sua mesa ficam no Nordeste, à direita do Venerável Mestre e esta poderá ter dimensões para acolher também o Primeiro Diácono que ficará à esquerda do Tesoureiro. O Secretário e sua mesa ficam no Sudeste, à esquerda do Venerável Mestre e esta poderá ter dimensões para acolher o Orador que ficará à direita do Secretário. O Preparador ficará à direita da mesa do Secretário, ou seja, à direita do Orador. O Guarda do Templo ficará junto à porta da Loja, do lado interno e à esquerda de quem entra. O Mestre de Harmonia sentar-se-á onde lhe for mais cômodo para a execução de seus trabalhos, sugerindo-se que fique próximo ao Venerável Mestre ou próximo à porta da Loja, do lado interno à direita de quem entra.

No Altar do Venerável Mestre estarão as três grandes luzes da Maçonaria, Ritual, malhete e uma vela. Na mesa dos Vigilantes estarão malhete, Ritual e uma vela. Na mesa do Tesoureiro duas velas e a esmoleira. Na mesa do Secretário duas velas, o Livro-Ata, o Livro de Presenças e os regulamentos e estatutos da Obediência e também da Loja. Os Diáconos terão ao seu alcance cada qual um bastão com comprimento de dois metros para circulação em Loja.

Diferentemente do que ocorre em muitos outros ritos maçônicos, o Templo no Rito Schröder não é de forma alguma uma representação do Templo de Salomão, por esse motivo ele é desprovido de mar de bronze, colunas J e B, entre outros símbolos que são encontrados nos Templos de outros ritos e que remetem ao conhecido Templo de Jerusalém.

No Rito Schröder o Templo de Salomão é representado por sua Planta em torno da qual todas as orientações e dimensões do Templo são baseadas. Esta Planta é o Tapete do Rito que é estendido na abertura e recolhido no encerramento dos trabalhos e que, como supracitado, constitui a alegoria principal da Loja ficando em seu entorno todos os demais elementos ritualísticos do Templo. O Tapete permanece aberto durante os trabalhos e sendo ele a Planta do Templo de Salomão, deve estar no centro do Templo onde poderá ser visto e estudado facilmente por todos os obreiros para que os trabalhos possam transcorrer sempre em boa ordem. Nesta Planta do Templo de Salomão estão contidas todas as alegorias e ferramentas da arquitetura necessárias para o estudo, a prática e o trabalho na Obra que estamos construindo, sendo elas: a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica, o 47° postulado de Euclides, a Régua de 24 polegadas, o Alvião, a Trolha, o Prumo, o Nível, o Esquadro, o Céu, o Muro e as três portas do Templo, não existindo, portanto outra representação, física ou não, destes elementos na Loja.

Mas se o Templo de Salomão está presente em Loja através de sua Planta o que representa o Templo do Rito propriamente dito? As Lojas Maçônicas na língua alemã são designadas por “Die Bauhütten”, que traduzido significa “As Oficinas”, sendo essa designação derivada das corporações de escultores de pedra, também conhecidos como canteiros, local onde eram cultivados os “Usos e Costumes”, bem como os conhecimentos específicos da cantaria, que não podiam ser revelados ao mundo exterior. Inicialmente, a Oficina era uma construção em forma de barraco ao lado do canteiro de obras da construção principal, usada para a guarda dos planos de construção, dos instrumentos de trabalho para o preparo das pedras, para reuniões dos Obreiros, para palestras e para o pagamento de salários. Depois atribuiu-se o entendimento de Oficinas às ligas de trabalhadores que se dedicavam às edificações maiores, especialmente construções de catedrais, onde trabalhavam em conjunto os cortadores de pedra e escultores que fixavam entre si regras próprias e se uniam em Fraternidades de Irmãos.

Os conhecimentos especiais de geometria fizeram com que os cortadores de pedra se transformassem numa sociedade fechada, onde se desenvolveram “segredos” que procuravam ocultar dos não iniciados através de formas de reconhecimento, tais como: Palavras de Passe, Toques, Sinais de reconhecimento, Sinais de socorro e diálogos usados e entendidos apenas por aqueles que conheciam o trabalho na pedra. Isto se refletiu no desenvolvimento de um Cerimonial Ritualístico, cujo símbolo profundo de múltiplos significados foi o fundamento que a Maçonaria Especulativa encontrou para ingresso dos Maçons em suas Oficinas.

Portanto, no sistema de ensino do Irmão Schröder, o Templo representa o casebre, a oficina, o barraco, a choupana onde se reúnem os obreiros para analisarem e estudarem minuciosamente a Planta do Templo de Salomão, e com as ferramentas que lhes são dispostas trabalharem nas Pedras Brutas, transformando-as em Pedras Cúbicas para que o esquadro da verdade se encaixe justamente e elas assim possam contribuir com a parte que lhe foi incumbida na Obra que estamos erguendo.

No Rito Schröder, o Templo não tem a intenção de ser o Templo de Salomão pelo simples fato de que cada obreiro é seu próprio Templo em construção e cada um deles encontra em si a Pedra Bruta cujas arestas precisam ser aparadas diariamente para que se encaixem na Obra da Humanidade e esta possa progredir sob a direção da Sabedoria, a execução da Força e os adornos da Beleza, sendo então a reunião dos obreiros ali na Oficina necessária apenas para que eles possam aprender em harmonia e união a trabalhar com cada ferramenta, auxiliando-se mutuamente para a transformação de suas Pedras interiores em Pedras Cúbicas, tendo a certeza de que seus Templos interiores tornar-se-ão sagrados e dignos da morada do Grande Arquiteto dos Universos, e conseqüentemente modelos a serem emulados para a construção de outros Templos na sociedade na qual suas esferas de influência poderão atuar.

Bibliografia utilizada:

Grande Oriente do Paraná – Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Schröder

Ubyrajara de Souza Filho – Vade-Mecum do Aprendiz do Rito Schröder
Ubyrajara de Souza Filho – Expletivo Maçônico para o Ritual de Aprendiz (Rito Schröder)
Boletins do Colégio de Estudos do Rito Schröder de Santa Catarina

Autor: Ir.’. Guilherme Cândido Cabelo.

Homenagem a Nelson Mandela

Nelson_MandelaNELSON ROLIHLAHLA MANDELA, nascido em 18 de julho de 1918, num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês “Nelson”. Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante de direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor “Libertem Nelson Mandela” se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o BharatRatna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

 1. “Lutei contra a dominação branca e contra a dominação negra. Defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se for preciso, é um ideal para o qual estou disposto a morrer”. (Depoimento no Julgamento de Rivonia, 20 de abril de 1964).

2. “A morte é algo inevitável. Quando um homem fez tudo o que considera seu dever em relação ao seu povo e ao seu país, ele pode descansar em paz. Eu acredito que fiz esse esforço. E é por isso que eu vou dormir por toda a eternidade”. (Trecho de uma entrevista para o documentário “Mandela”, 1994)

MÚSICA EM HOMENAGEM – WAVING FLAG

 

Alvião: martelo de corte

5933A maçonaria é uma associação iniciática e filosófica, cujos membros praticam os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, não importando a religião do indivíduo (Por isso se usa o, ‘Grande Arquiteto do Universo’ ou ‘G.A.D.U.’). O que se cobra do participante é a prática de valores progressistas e humanistas. A maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando o seu nome e o âmbito de Rito para Rito. O Rito Maçônico é o conjunto de regras e preceitos com os quais se praticam as cerimônias, cujos membros se comunicam com sinais, toques, palavras e instruções “secretas”.

Sendo assim, os aprendizes passaram por todos os graus, e vão evoluindo de grau de acordo, com a aquisição e elaboração de seus novos conhecimentos. Portanto, é fundamental o seu estudo e dedicação, principalmente em aprender e conhecer cada um de seus símbolos. E dentre esses símbolos o martelo maçônico tem um papel importante para o aprendiz.

O martelo maçônico, conforme Mackey é uma das ferramentas de trabalho de um Aprendiz, usado pelo maçom operativo para cortar os cantos da pedra bruta, transformando-a em cúbica, formato esse útil para a construção. Como se pode observar, o martelo é utilizado para cortar a pedra, sem o auxílio de qualquer outro instrumento, tendo por esse motivo uma cabeça retangular com um lado plano e outro fino, estreito. Esse é o verdadeiro martelo maçônico, que pode ser chamado de martelo de corte (ISMAIL, 2012).

O maço e o cinzel não são usados para trabalhar a pedra bruta e não são originalmente ferramentas de um Aprendiz Maçom, visto que, na realidade, são ferramentas utilizadas para trabalhos de acabamento, para os quais um Aprendiz não está habilitado. Por esse motivo, nos ritos mais antigos, são instrumentos de um Companheiro Maçom. O maço tem ainda a função de alinhar as pedras cúbicas quando se levanta uma parede ou muro, além de uma pequena, rápida e triste participação no grau de Mestre Maçom.

Várias Lojas mais tradicionais em diferentes países se recusam a utilizar os malhetes atuais, aqueles comumente utilizados por juízes e leiloeiros e que se tornaram populares na Maçonaria, declarando que os malhetes nada têm com a história e simbologia maçônica, sendo, portanto, inadequados para o uso em Loja. Em vez desses, essas Lojas utilizam versões simbólicas do martelo maçônico tradicional, o martelo de corte.

Ainda há a figura do Martelo Pontiagudo (Escoda, Alvião, Camartelo) é um pequeno martelo em madeira, emblema da vontade ativa, do trabalho e da força material, instrumento de direção, poder e autoridade utilizado por isso pelo Venerável Mestre e pelos dois Vigilantes em Loja. É colocado à direita do Segundo Vigilante, representando o seu ajudante na execução da Obra, o Preparador, responsável pelos primeiros ensinamentos ao candidato, que ainda não virou aprendiz, em seu estado mais bruto da natureza. Os irmãos entram e se retiram da Oficina pela porta do Ocidente, local onde o Sol se põe ao terminar o dia de trabalho e onde, simbolicamente, estão os que ainda não alcançaram o conhecimento maçônico pleno. Ai fica o Primeiro Vigilante, responsável pela recepção dos irmãos e pelo fechamento da Loja a Meia-Noite, quando o céu se apresenta nublado (escuro), e à sua direita, o Segundo Diácono, responsável pela verificação da cobertura da Loja, representado pela Trolha ou Colher de Pedreiro.

Portanto o martelo ensina a importância do autocontrole e autodisciplina. É o espírito atuando sobre a matéria com sabedoria. É com certeza, uma das ferramentas de trabalho dos Aprendizes no desbaste da Pedra Bruta, na qual o seu símbolo ajuda a eliminar de seu caráter os vícios e preconceitos.

O alvião ( O Martelo ) com duas extremidades, uma das quais pontiagudas, Serve para desbastar todas as arestas da imperfeição e este trabalho é dos mais árduos, o deve ser orientado. para que o Esq:. Da verdade possa ser colocado fácil e justamente. Pautado em todos os seus atos e decisões da mais absoluta retidão em se tratando de seus semelhantes.

Autor: Ir.’. Orlando dos Santos – CM

A régua na simbologia maçônica

regua_thumb[1]Régua é uma palavra de origem francesa que significa: Lei ou Regra. A Régua é uma ferramenta utilizada para medir os trabalhos assim como para traçar linhas retas, deve servir também como utensilio de meditação, de consciência, de inteligência e de cautela ao maçom na execução dos seus afazeres ou na tomada de decisões que o permitam traçar na pedra bruta, retas que a tornem cubica. 
 
Antigo símbolo da retidão, do método e da lei, a régua é considerada emblema de aperfeiçoamento. Significa ainda o meio de assegurar o cumprimento das normas do comportamento humano, sem as quais não pode haver ordem. Estas normas constituem o equilíbrio de todas as ações. Assim elas consubstanciam uma medida que pode ser avaliada pelos módulos da Régua. Com a régua medimos um seguimento do infinito. Uma parte de nossa vida. A retidão que buscamos. Do ponto em que encontramos nossa Pedra Bruta até o momento em que a tornamos Cúbica, para nós e para a sociedade em geral. 
 
Na maçonaria utiliza-se a régua de 24 polegadas significando as 24h do dia, que dividida em espaços iguais remete aos períodos de trabalho, de repouso, de exercícios físicos e mentais e de recreação, ou seja, as horas não devem ser mau empregadas na ociosidade. É uma das mais importantes ferramentas do trabalho do maçom, pois, o mesmo utiliza-a para elaboração dos projetos de obras. 
 
O Aprendiz a utiliza em conjunto com o Alvião para traçar e marcar a pedra bruta para o desbaste, o Companheiro utiliza-a para medir, concluindo o trabalho de polir a pedra cubica.

 “Se um dia você tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: Se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo.” ALBERT EINSTEIN. 

Autor: Ir.’. João Batista Missura – CM

A “falsa” simplicidade do Rito Schröder

Quem assiste pela primeira vez a uma sessão do Rito Schroder acredita que ele é um sistema simplificado, sem conteúdo aprofundado de ensinamentos. Engana-se quem caracteriza o rito como simples, pois, só pelo fato de ser praticado enquanto rito maçônico há a necessidade de conter um espírito que o conduz, pautado por um conjunto de ideias que dão tom ao rito.

O Irmão iniciado nos ritos Escocês, Brasileiro e Adonhiramita, por exemplo, que contem um sistema ritualístico “mais sofisticado de ritualística” que os demais pode acreditar que os adeptos do rito schroder fazem suas sessões sem conteúdo ritualístico significativo. A rápida duração e não presença de elementos presentes na maioria dos ritos – abertura do livro da lei, conferência da palavra sagrada e circulação do saco de propostas e informações, faz com que o rito possua esta alcunha de “simples”.

Nosso intuito neste pequeno trabalho não é comparar o Rito Schroder com os demais ritos maçônicos, mas demonstrar que tal rito possui um espírito maçônico próprio, único e que, da felicidade do Irmão Schroder em concebê-lo – aliás, o único rito praticado no país que leva o nome de uma pessoa, houve um surgimento de um novo ideal maçônico.

Pautado na corrente idealista alemã que conta com nomes como Hegel, Kant, Fichte, Goethe entre outros em que o ser é reduzido à consciência, o rito Schroder adota o postulado de que o conhecimento do homem é adquirido pelo próprio homem. O que identifica um maçom do rito é a dignidade e a ética, espíritos do humanismo que prega a virtude da razão própria para aperfeiçoamento pessoal.

Inspirado por tal princípio libertário da Alemanha do fim do Século XVIII, o Irmão Schroder acredita que a maçonaria não é uma instituição esotérica e, preocupado com as excessivas interpretações ritualísticas (que ainda hoje permanecem!), ele procurou criar um sistema de ensino (rito) diferente de tudo o que existia na época, com a seguinte máxima: a maçonaria é uma união de virtudes e a loja é o local na qual os irmãos se reúnem para, juntos, envidar virtuosos esforços para o progresso da humanidade.

Deste modo, o pensamento humanista da época valorizava uma grande preocupação com o preparo mental e intelectual do candidato, solidificando a maçonaria em três importantes pilares: a simplicidade, a essencialidade e a moralidade. O rito Schroder afasta, portanto, todo tipo de simbolismo considerado místico, esotérico, religioso e excessivo de seus rituais.

Os três pilares acima citados são entendidos assim: a) simplicidade: desde os paramentos até a decoração do templo e a explicação simbólica da maçonaria no tapete, a entrada e saída de loja, a abertura e o encerramento, por si só o rito prevê a simplicidade; b) essencialidade: presente no conhecer a si mesmo durante a viagem nos três graus simbólicos, enfatizando a preocupação intelectual humanista da época; c) moralidade: no rito, o ensinamento ocorre na oficina. É lá que o maçom aprende e, para isso, não precisa nada jurar: um sincero aperto de mãos mostra a dignidade do maçom Schroder.

Por estas razões não considero o rito simples. É um rito simples ritualisticamente falando, mas com conteúdo moral e intelectual significativo em que a descoberta do homem pelo homem é a tarefa primordial. Afinal, de que valem as descobertas científicas no campo da biologia, das ciências exatas e da terra se a principal questão que nos ronda desde que nascemos ainda permanece: quem sou eu, quem somos nós?

Bibliografia

SOUZA FILHO, Ubyrajara de. Vade-Mecum do Aprendiz – Rito Schroder. Londrina: Ed. Maçônica A trolha, 2011.<

Autor: Ir.'. Tiago Valenciano

Aspectos do Rito Schröder

Tapete-schroderCom mais de duzentos anos de existência, o Rito Schröder foi aprovado pela Maçonaria Alemã em 1801, após reunião da Assembleia dos Veneráveis Mestres da Grande Loja de Hamburgo. A essência do rito deve-se ao aperfeiçoamento da moral e à simplicidade. Da moral, pois sendo um maçom “livre e de bons costumes” deve zelar pela mesma em suas atividades da vida profana; da simplicidade, uma crítica feita pelo criador do rito, Friedrich Ulrich Ludwig SCHRÖDER, em alusão aos rituais exagerados da época.

Caracterizando a maçonaria como união de homens bons, voltada para a prática do humanismo, o entendimento dado à mesma por este rito refere-se à simbologia dos três graus iniciais – e não ao esoterismo. Assim, o Rito Schröder labuta exclusivamente nos três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Além disso, todos os irmãos usam cartola e luvas brancas durante as sessões. As sessões são encerradas sempre por uma cadeia de união, conforme o ritual apropriado.

Na administração da loja, os cargos de VM, vigilantes e tesoureiro são eletivos, sendo o orador escolhido pelo VM para as questões que este considerar importante. O próprio VM é o guarda da lei. Secretário, diáconos, mestre de harmonia, cobridores e preparador são os demais cargos em loja, sendo o 1° diácono também mestre de cerimônias.

Após a abertura dos trabalhos, estende-se um tapete no centro do templo (que é também o painel do respectivo grau), com os lados representando os quatro pontos cardeais. Há três portas no mesmo, simbolizando o VM e os vigilantes, além de alguns símbolos alusivos à maçonaria. Ainda existem três colunas, com três grandes velas cada, sendo: A Coluna da Sabedoria fica na posição Nordeste, a da Força na posição Noroeste e a da Beleza no meio da orla sul do Tapete. O andar no interior do templo deve ser esquadrejado.

O templo é ornamentado com as colunas J (esquerda) e B (direita), fora do mesmo. A construção é feita sob um único nível, sem degraus do Ocidente para o Oriente. As paredes e o teto podem ser pintados da cor azul celeste ou variáveis, com simplicidade. Acima do VM, no oriente, deve-se instalar um triângulo com a letra “G” ao centro ou um esquadro/compasso, dispondo da mesma letra. As mesas são retangulares. Os aprendizes (norte) e companheiros (sul) sentam-se na primeira fileira.

Outro aspecto diferencial do rito diz respeito aos trajes e paramentos. O avental do Aprendiz é como os dos demais ritos, branco, utilizado com a abeta levantada; o de Companheiro é branco, orlado de azul celeste em torno da abeta – esta utilizada abaixada; e, por fim, o de Mestre, é orlado por todo de azul celeste, tanto na abeta como em torno do mesmo. Além dos aventais, o uso de luva é obrigatório em todas as sessões, bem como o traje maçônico completo: terno preto, gravata borboleta preta e camisa branca. Ainda assim, salientamos o uso de cartola em todas as sessões.

A introdução do rito no Brasil ocorreu em 1855, com a Loja “Amizade Alemã”, de Joinville. Mediante aos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, em 1917, a loja ficou proibida de trabalhar no rito, pois este era praticado em língua alemã, país adversário brasileiro naquela disputa. Até então, cerca de 50 lojas já exerciam atividades sob o Rito Schröder. Com a suspensão da loja em 1937, o rito ficou adormecido, retornando apenas em 1956 – já com rituais impressos em português.

Atualmente, as lojas do rito concentram-se nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com algumas lojas universitárias existentes no país. No Paraná, apenas o Grande Oriente do Paraná possui lojas regulares do rito, que são: 1) ARLSU Construtores de Templos nº 138, fundada em 2008 do oriente de Curitiba; 2) ARLS Trajano Reis nº 100, fundada em 1991 (a primeira do Estado), do oriente de Curitiba; 3) e a ARLS Demolay Nelson Dequech nº 133 fundada em 2006, do oriente de Londrina.

Bibliografia – sites consultados.

BUSCA AÉREA. Schroder, o rito do terceiro milênio. Disponível em: <>. Acesso em: 30 Março 2010.
FILHO, Ubyrajara de Souza; RINKUS, Werner. Rito de Schroder. Disponível em: . Acesso em: 30 Março 2010.
NETO, Rui Jung. Rito Schroder – Loja Maçônica Estrela do Sul. Disponível em: <> Acesso em: 30 Março 2010.
OS PRINCIPAIS RITOS PRATICADOS NO BRASIL E NO MUNDO. Rito Schroder. Disponível em: <> Acesso em: 30 Março 2010.

Autor: Ir.’. Tiago Valenciano.

A biografia de Friedrich Ulrich Ludwig Schröder

220px-FriedrichLudwigSchroederQual era o contexto da Alemanha e da Europa no Século XVIII? Quais os padrões de conduta influenciaram as pessoas na época? E como a Maçonaria se comportou perante as mudanças políticas e sociais? Estas questões estão implícitas diante da biografia do criador do Rito, Friedrich Ulrich Ludwig Schröder. Nascido em 02 de Novembro de 1744 em Schwerin, na Alemanha, Schröder dedicou-se por um bom período às atividades culturais, sendo ator e autor de peças teatrais e empresário na área.

Antes de relatar a biografia de Schröder, vejamos o contexto político, social e econômico da Europa – em especial na Alemanha do Século XVIII. Organizada sob um império (o Sacro Império Romano-Germânico) de 962 a 1806, o país atravessou por constantes disputas políticas e religiosas. Políticas, após a colisão do poder imperial em 1250, quando o Estado rompeu com a igreja católica e, ao mesmo tempo, religiosas, após a divulgação das 95 teses de Martinho Lutero em 1517. O Império alemão só veio a ser dissolvido após as guerras napoleônicas, isto é, ocorridas após a revolução francesa de 1789.

Os tempos na Europa eram de mudanças econômicas e políticas. As primeiras, pautadas sob a égide da Revolução Industrial, incluindo no dia-a-dia das pessoas o motor a vapor, a máquina de tear, a produção em série, enfim, profundas transformações industriais que ocorrem a priori na Inglaterra e depois se expandiram pelo mundo. Já as mudanças políticas giram em torno da Revolução Francesa, com as idéias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, pilares que sustentam até hoje a filosofia maçônica.

Neste contexto é que Schröder viveu, em contato direto com os impactos da Revolução Industrial e da Revolução Francesa – além é claro das rupturas igreja / Estado e igreja católica / Estado, capitaneadas pelo protestantismo de Lutero. Filho de pais separados, Schröder iniciou a carreira de ator ainda criança, no grupo teatral de seu padrasto, Konrad Ernest Ackermann. Com vinte anos de idade, conheceu Konrad Ekhof, seu mestre inspirador e, já aos 27 anos, era Diretor do Teatro de Hamburgo – após a morte de Ackermann.

Durante este período à frente do teatro com sua mãe, Schröder foi considerado o “maior ator da Alemanha”, pois encenou diversas obras de William Shakespeare e outros autores ingleses e alemães, evidenciando assim seu excelente domínio de expressão corporal e vocal.

Estudioso da história da Maçonaria, ritos e rituais, foi iniciado aos 30 anos de idade na Loja Maçônica “Emanuel Zur Mainblumen”, que labutava no Rito da Estrita Observância, em 08 de Setembro de 1774. Schröder recebeu a luz sem sequer ser escrutinado, pois gozava de excelente condição moral perante a sociedade.Ainda no grau de Aprendiz, fundou a loja “Elise Zum Warmen Herzen” (Eliza ao coração ardente), que durou apenas três anos. Um ano após a sua iniciação, em 1775, recebeu o Grau de Mestre Maçom e, em 28 de Junho de 1777, foi eleito Venerável Mestre.

Mas, o que fez com que Schröder criasse seu próprio rito? Desde 1764, a Maçonaria Alemã passava por dificuldades e, neste período, os rituais ingleses (até então de caráter simples e organizado), sofreram influências da Maçonaria Francesa, adquirindo costumes vindos do rosacrucianismo, alquimia, misticismo e iluminismo. Em face destas mudanças e, pela própria história de vida de simplicidade de Schröder, este não aceitava as constantes mudanças e alta carga de ritualística nos trabalhos maçônicos. Estes episódios marcam o início do Rito Schröder, em 1790.

Em 29 de Junho de 1801, Schröder submeteu o ritual para a apreciação dos mestres de Hamburgo, sendo aprovado por unanimidade. Para a elaboração do ritual, inspirou-se no Rito de York e no pressuposto de que a Maçonaria é uma união de virtudes e não uma entidade de caráter esotérico. Àqueles que já tiveram a oportunidade de conhecer o rito, este é o pensamento presente, ou seja, um ritual simples, de caráter humanista, voltado para a excelência do trabalho maçônico, sobretudo.

Após um período como Grão-Mestre Adjunto da Grande Loja Provincial da Baixa-Saxônica, em 1814, foi eleito Grão-Mestre, mas permaneceu por pouco tempo na função, já que faleceu em 3 de Setembro de 1816. Homem além de seu tempo, Schröder deixou um legado para a humanidade e para a Maçonaria como um todo, pois reformulou a instituição, fazendo com que esta não perdesse seus antigos princípios e propósitos, bem como seu espírito: moldar o homem enquanto cidadão.

Bibliografia – sites consultados.

http://www.buscaerea.com.br/schroder/pages/historia.asp
http://cidadedevilavelha89.org/conteudo.aspx?id=101
http://conhecendomaconaria.blogspot.com/2009/12/rito-de-schroeder.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rito_Schr%C3%B6der

Autor: Ir.’. Tiago Valenciano

Primeira sessão do Rito Schröder em Maringá

No dia 03 de dezembro de 2010, os irmãos da A.’.R.’.L.’. Schröder realizaram a primeira sessão ritualística, no grau de A.’.M.’., no Or.’. de Maringá. Dirigidos pelo V.’.M.’. provisório José Buzato, a Loja Maçônica reergue seus trabalhos afim de estudar o último rito que faltava em Maringá: o Rito Schröder.

Composta por membros da maioria das lojas maçônicas de Maringá e região, a Loja atualmente conta com 21 obreiros, entre Companheiros e Mestres. Ainda assim, possui um templo próprio para as sessões, localizado na Av. Brasil próximo à Praça do Peladão. Carecendo de ornamentação própria, o templo e a loja ainda não estão abertos para visitas, já que o objetivo é estudar o rito e, posteriormente, apresentá-lo aos irmãos, dispondo de excelência no trabalho maçônico.