A Pedra Bruta

Aprendiz (1)“A pedra bruta dentro da maçonaria simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o maçom deve esforçar-se para corrigir.”

A pedra bruta está representada no tapete do nosso templo, ficando posicionada do lado norte do mesmo, mesmo lado onde ficam sentados os aprendizes em loja aberta. É uma porção de pedra natural, de granito ou outra espécie, tosca, assim como foi encontrada na natureza. Esta pedra representa o aprendiz que necessita retirar de si mesmo todas as arestas que o tornam bruto e disforme. Sem habilidade e orientação o aprendiz nada conseguirá, a não ser fragmentar a pedra em outras porções, também brutas e disformes.

A superfície da Pedra Bruta é rugosa e áspera. Assim, a luz ao incidir numa superfície assim é absorvida. Assim também é o aprendiz maçom, que ainda não reflete a luz que recebe da maçonaria. Apenas após ser trabalhada a Pedra Bruta, transformando-se em pedra polida, as suas faces lisas passam a refletir e distribuir a luz que nela incide.
A pedra bruta também pode ser associada e simbolizar a Liberdade. Mas pode a pedra bruta simbolizar liberdade? Pode, pois ao partirmos do pressuposto que o profano, que é escravizado por um mundo repleto de preconceitos, paixões e intransigências de fórmulas absolutas, e no anseio pela verdade bate à porta de nossos templos clamando pela Luz de uma loja justa e perfeita, após sua acolhida, o neófito estará libertado iniciaticamente de sua servidão anterior… E neste mesmo instante, o iniciado simbolizará sua liberdade pela Pedra Bruta, com a qual ele se identificará. Sim, o aprendiz maçom, que pela sua iniciação renasce, se liberta de tudo o que a sociedade lhe proporcionou de artificial e mau, e reencontra tudo o que havia lhe sido tirado de espontâneo e bom, reencontra sua liberdade de pensamento, e com os instrumentos que lhe são fornecidos terá que desbastar sua pedra, tirando-a do estado de pedra bruta para torná-la perfeita, imprimindo-lhe caráter e personalidade própria.

Ainda, podemos comparar a Pedra Bruta à Rocha Mãe, rocha que serve de base para a transformação do solo. Assim, a Rocha Mãe vai se fragmentando em pequenos pedaços, que vão se modificando, refinando e polindo, até que ao final do processo possa se converter em solo fértil, onde germinam sementes.

O aprendiz é a própria Pedra Bruta, que representa seu atual estado de imperfeito desenvolvimento para converter-se em estado de perfeição interior. Porém, sabemos que a perfeição é inatingível, e sendo assim, resta-nos evoluir em etapas, removendo as arestas através de sucessivos graus de perfeição relativa. O desbaste da pedra bruta inicia-se no próprio reconhecimento da nossa imperfeição. Podemos até exemplificar: quando o aprendiz releva um aborrecimento causado por um irmão, está desbastando arestas. Quando se livra da arrogância e exercita a tolerância, mais arestas são removidas. Contudo, a melhor forma de desbaste da Pedra Bruta é a comprovação fraterna, com provas de amor fraternal. É dando que se recebe, dizia Machado de Assis, em uma de suas mensagens de amor. Este é o caminho certo para o aperfeiçoamento, que certamente será longo e cheio de sacrifícios, mas certamente vale a pena ser trilhado.
A pedra bruta representa a cegueira e a ignorância das paixões humanas indomáveis, do pensamento livre e da teimosia, do mau gosto e do individualismo egocêntrico.

Muito sutil será a análise dos restos da pedra bruta, após surgir a obra acabada. Nada se joga fora, pois tudo é sagrado! Assim como nas obras da engenharia onde a pedra bruta agrega e auxilia na estruturação das grandes obras, para a nossa ordem a pedra bruta também é importante, representando a todos os maçons a eterna busca pela perfeição relativa.

Assim, podemos afirmar que a maçonaria está aberta aos homens valentes, que estão dispostos a desbastar a Pedra Bruta.

Ir. Marcelo Ricardo Dias, apresentado em 13/06/2014.

Fontes:
Livro Trabalho do Seminário de Mestres Maçons da Aug:. Resp:. e Gr:. Ben:. Loj:. Cap:. Amor e Caridade II, em 1980 – Oriente de Ponta Grossa, de Renato Cevenini Salvador Ramos, Nelso Romeu Schwingel, Elmar Thomé e Rubens Vieira
ABC do Aprendiz, de Jaime Pusch
A simbólica maçônica, de Jules Boucher

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