A “falsa” simplicidade do Rito Schröder

Quem assiste pela primeira vez a uma sessão do Rito Schroder acredita que ele é um sistema simplificado, sem conteúdo aprofundado de ensinamentos. Engana-se quem caracteriza o rito como simples, pois, só pelo fato de ser praticado enquanto rito maçônico há a necessidade de conter um espírito que o conduz, pautado por um conjunto de ideias que dão tom ao rito.

O Irmão iniciado nos ritos Escocês, Brasileiro e Adonhiramita, por exemplo, que contem um sistema ritualístico “mais sofisticado de ritualística” que os demais pode acreditar que os adeptos do rito schroder fazem suas sessões sem conteúdo ritualístico significativo. A rápida duração e não presença de elementos presentes na maioria dos ritos – abertura do livro da lei, conferência da palavra sagrada e circulação do saco de propostas e informações, faz com que o rito possua esta alcunha de “simples”.

Nosso intuito neste pequeno trabalho não é comparar o Rito Schroder com os demais ritos maçônicos, mas demonstrar que tal rito possui um espírito maçônico próprio, único e que, da felicidade do Irmão Schroder em concebê-lo – aliás, o único rito praticado no país que leva o nome de uma pessoa, houve um surgimento de um novo ideal maçônico.

Pautado na corrente idealista alemã que conta com nomes como Hegel, Kant, Fichte, Goethe entre outros em que o ser é reduzido à consciência, o rito Schroder adota o postulado de que o conhecimento do homem é adquirido pelo próprio homem. O que identifica um maçom do rito é a dignidade e a ética, espíritos do humanismo que prega a virtude da razão própria para aperfeiçoamento pessoal.

Inspirado por tal princípio libertário da Alemanha do fim do Século XVIII, o Irmão Schroder acredita que a maçonaria não é uma instituição esotérica e, preocupado com as excessivas interpretações ritualísticas (que ainda hoje permanecem!), ele procurou criar um sistema de ensino (rito) diferente de tudo o que existia na época, com a seguinte máxima: a maçonaria é uma união de virtudes e a loja é o local na qual os irmãos se reúnem para, juntos, envidar virtuosos esforços para o progresso da humanidade.

Deste modo, o pensamento humanista da época valorizava uma grande preocupação com o preparo mental e intelectual do candidato, solidificando a maçonaria em três importantes pilares: a simplicidade, a essencialidade e a moralidade. O rito Schroder afasta, portanto, todo tipo de simbolismo considerado místico, esotérico, religioso e excessivo de seus rituais.

Os três pilares acima citados são entendidos assim: a) simplicidade: desde os paramentos até a decoração do templo e a explicação simbólica da maçonaria no tapete, a entrada e saída de loja, a abertura e o encerramento, por si só o rito prevê a simplicidade; b) essencialidade: presente no conhecer a si mesmo durante a viagem nos três graus simbólicos, enfatizando a preocupação intelectual humanista da época; c) moralidade: no rito, o ensinamento ocorre na oficina. É lá que o maçom aprende e, para isso, não precisa nada jurar: um sincero aperto de mãos mostra a dignidade do maçom Schroder.

Por estas razões não considero o rito simples. É um rito simples ritualisticamente falando, mas com conteúdo moral e intelectual significativo em que a descoberta do homem pelo homem é a tarefa primordial. Afinal, de que valem as descobertas científicas no campo da biologia, das ciências exatas e da terra se a principal questão que nos ronda desde que nascemos ainda permanece: quem sou eu, quem somos nós?

Bibliografia

SOUZA FILHO, Ubyrajara de. Vade-Mecum do Aprendiz – Rito Schroder. Londrina: Ed. Maçônica A trolha, 2011.<

Autor: Ir.'. Tiago Valenciano

1 comentário

  1. Excelente esta publicação, somente quem vive plenamente o Rito Schroder consegue identificar nesta simplicidade toda a espiritualidade que nele está contido.

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