O DISCURSO DE FRIEDRICH LUDWIG SCHRÖDER Proferido em 3 de setembro de 1789

O discurso de Schröder quando foi eleito pela segunda vez Venerável Mestre da Loja “Emanuel zur Maienblume”, é de fundamental importância para a compreensão dos conceitos que ele tinha em mente quando propôs a reforma da Maçonaria e deu inicio à confecção dos Rituais.

Vossa escolha, meus respeitáveis irmãos, ao me confiar o malhete desta Loja mais uma vez me honra. Nada, mais lisonjeiro do que gozar da confiança de homens livres, que sacrificam voluntariamente parte do seu tempo em função do presente evento! Contudo, permaneço indeciso. Eu previ que o descontentamento de alguns irmãos contagiaria outros. Eu pressagiei que o clima de união e de concórdia, que reinou durante aquele um ano e meio em que tive a honra de conduzir o malhete desta oficina, havia chegado ao fim (1). Sendo assim, nada mais me resta a fazer do que tentar contribuir para o restabelecimento da harmonia que outrora aqui havia. Para a realização deste objetivo, peço-vos que analisem meus conceitos sobre a Franco-Maçonaria e submeta-os à prova.

Com profunda convicção considero a Franco-Maçonaria uma irmandade verdadeira e benemérita. Com mais convicção ainda creio que ela encerra coisas que na época do seu surgimento exigiam um véu misterioso, às vezes símbolos perdidos, os quais com o passar dos anos sofreram modificações.

A Franco-Maçonaria, com sua moral pura, primorosa, voltada às grandes finalidades; ela, que possui todas as virtudes para tornar o homem melhor; ela, inimiga declarada de todos os preconceitos; ela, que derrubou as barreiras divisórias existentes entre os homens, impostas pelas religiões, pelas pátrias e pela posição social; ela, que unificou homens de todas as nações como verdadeiros irmãos; ela, quem primeiro ensinou a todos a virtude da tolerância; pode ela ser uma obra hierárquica? Podem os seus costumes ser uma farsa? Ela não merece ser despida de seus compromissos solenes, a pretexto de sua conservação e propagação.

Por estes motivos não posso permanecer indiferente face à maneira como a estão conduzindo. Em mais de uma palestra protestei contra o ato de admitir candidatos sem submetê-los ao escrutínio e às provas de iniciação, como amiúde vem sendo feito; contra o fanatismo de qualquer natureza, tenha ele o nome de Rosacrucionismo, de Asiatismo ou de Africanismo (2); contra as eternas palavras de fraternidade que nunca se traduzem em fatos; contra trabalhos conduzidos em loja que afugentam homens sérios e causam tédio nos jovens. Eu tentei, até onde me foi possível, cumprir com o meu dever, conversar com os irmãos de forma instrutiva, entretê-los, sem deixar que caíssem no marasmo. Estou certo de que não errei e isto me enche de alegria.

Mas minha palavra, meu compromisso, minha convicção, impedem-me de dar aprovação a qualquer coisa que possa abalar os alicerces da Maçonaria. Daí o caso em questão ser demasiadamente estranho. Como é possível que irmãos maçons, os quais homenageio e considero de todo o coração, votem em um Mestre que não deseja ser Mestre, que afirma que irá destruir a Franco-Maçonaria, visto que suprimir seus símbolos é o mesmo que destruí-la! (3)

É certo que a Franco-Maçonaria em nosso país é diferente em relação a outros e, com respeito às épocas passadas, pode-se dizer que fraudes e aleivosias a deturparam. É lícito afirmar que ela necessita de algumas modificações, mas devemos por este motivo

repudiá-la? É justo incorrermos modificações, mas devemos fazê-lo por causa de uma conclusão preconceituosa? É preciso que aqueles que consideram os símbolos da Maçonaria uma farsa nos convençam de sua inconsistência. Meditai meus Irmãos sobre os ensinamentos simples contidos no Grau de Aprendiz! Analisai os vários modos como são inculcadas em nossas mentes a firmeza, a serenidade, a inteligência e a discrição. Notai a insistência com que os mesmos nos recomendam o aprimoramento intelectual e o estudo das ciências. Meditai sobre os importantes ensinamentos presentes nestes quadros! Podem eles estar fundados em uma farsa? E o estudo sobre a origem dos seus costumes e tradições, seria também ato indigno de um homem pensante?

Quem deseja suprimir ou modificar algo deve primeiro demonstrar que tem outra coisa melhor para colocar no lugar daquilo que pretende substituir ou abolir. Por acaso existe alguma virtude social que já não faça parte integrante dos ensinamentos da Franco- Maçonaria? Poderá alguém fornecer-nos algo de novo e de melhor? O que há de errado com os seus símbolos? Sobretudo o que esperar de sua existência? A supressão dos seus símbolos e tradições visa atingir um objetivo de alcance maior, que consiste em substituir algo insubstituível? Ou seja, a destruição de uma cadeia que une 1.000 irmãos, uma cadeia a qual muitos devem seu bem estar, a alegria de suas vidas e suas próprias vidas. Pode-se esperar que membros de uma sociedade como esta venham a se reconhecer mutuamente como irmãos?

Eu tenho apreço por todo o objetivo que é nobre, mesmo que ele seja impraticável. Mas o cargo que o vosso voto me outorga força-me, com toda a sinceridade, a alertá-los sobre a impraticabilidade de algumas idéias e sobre certos inconvenientes que antevejo. Confesso francamente que nenhum interesse tenho pelos trabalhos que se pretende realizar, nesta ou em outra oficina qualquer. Possui alguma loja uma instituição de caridade? Será que não existe em outro lugar homem de cabeça com capacidade para conduzir o malhete e enobrecer o tempo dos irmãos?

Os sábios Börne e Gemmingem (4) de Viena não precisaram abolir os símbolos e os rituais da Maçonaria para atuarem maravilhosamente nos corações e nas mentes dos irmãos de suas lojas. Por conseguinte, o problema da futilidade e do tédio dos trabalhos reside não na coisa em si, mas em quem os dirige. E quem é que elege o dirigente? Meus Irmãos! Deixai que tradições como as das Guildas dos artesãos percam o seu valor, deixai que a interpretação dos seus símbolos – responsáveis pela formação de uma grande cadeia de irmãos – torne-se algo totalmente inútil para nós, e verão onde tudo irá terminar.

É preciso admitir a necessidade de uma reforma consciente. É preciso que orientemo-nos pelo sistema inglês, aquele da época em que os irmãos eram admitidos nas lojas por meio da palavra e da assinatura (sic). É preciso estar atentos quanto à presença de místicos, iluminados e outros sonhadores em nossas reuniões. Só assim poderemos realizar os verdadeiros objetivos da Maçonaria. No futuro darei uma explicação extensiva sobre a natureza e ação dos iluminados (5).

Já vos descrevi meus Veneráveis Irmãos o que foi a Maçonaria, o que ela deve ser, e o que para nós ela realmente é. Estão os senhores em condições de condenar profanações feitas contra um ensinamento puro, qualquer que seja ele? Acabar com tais abusos, eis nossa preocupação. Cumpramos estes grandes objetivos, morais e físicos, que se apresentam perante nossos olhos. Fixemos o montante de nossas economias e estipulemos o que de bom construir com elas. Meus Irmãos trata-se de um objetivo que demanda rigoroso exame. Persistamos nele, firmes, resolutos! Caridade no sentido mais amplo é a característica, é o espírito da Franco-Maçonaria. Disto resulta que bondade no coração seja a principal condição exigida por nossa sociedade, tal como nos velhos tempos. Este espírito esteve presente em suas deliberações e em seus trabalhos desde tempos imemoriais; até mesmo em seus banquetes fraternais, onde irmãos hesitavam comer em abundancia caso não tivessem contribuído para secar algumas lagrimas produzidas pela pobreza. É verdade que a Franco-Maçonaria colocou na cabeça os objetivos mais excêntricos, dividiu-se em varias seitas, porém nunca cessou de difundir – e, sobretudo de praticar – a virtude da caridade. Trata-se de um mandamento fundamental da Fraternidade, cuja implementação cumpre que seja feita com toda a determinação e sabedoria.

 

Meus caros Irmãos, espero ter explicado corretamente meus conceitos básicos sobre a Franco-Maçonaria. Em resumo, é prudente precavermo-nos contra tais absurdos e preocuparmo-nos com a formação do homem. É necessário ainda acrescentar o bem estar do ser humano a esta nobre finalidade. É preciso que cuidemos para que em nossa Constituição e em nossos rituais não haja mudanças substanciais muito menos supressões, para não comprometermos toda a Franco-Maçonaria e os nossos solenes e voluntários compromissos. Que minhas palavras sejam abençoadas e que a harmonia e o amor fraternal reinem para sempre em nossas reuniões.

 

Schröder exerce o cargo de Venerável Mestre na Loja Emanuel entre 1787 e 1799.

Está se referindo às Ordens dos Arquitetos Africanos e dos Irmãos Asiáticos. A primeira foi fundada em 1756 em Berlim por Baucheren e sancionada por Frederico II da Prússia e, a segunda, foi fundada em 1780 pelo Barão Johann Kral von Eckhoffen (ver Capítulo VI – Misticismo e Charlatanismo).

Está se referindo ao comerciante e senador de Hamburgo Georg Heinrich Sieveking (1751-1799). Iniciado também na Loja Emanuel zur Maienblume (1774), Sieveking propôs a supressão de todos os símbolos da Maçonaria, quando eleito Venerável Mestre da Loja Saint George, afirmando que os mesmos não passavam de uma farsa.

Börne e Gemmingem: o Barão Otto Heinrich von Gemmingen (1755-1836) foi um pouco conhecido teatrólogo e escritor do Iluminismo. Em 1782 ele se muda para a Áustria e contribui para a difusão do Iluminismo no país, durante o reinado do Imperador Francisco José. Ludwig Börne foi um famoso escritor e político alemão, também iluminista.

Iluminados da Baviera: organização de cunho maçônico, fundada por Adam Weishaupt, reitor da Universidade da Ingolstadt, que tinha ramificações em vários países, inclusive no Brasil (ver Capítulo VII – O Rito da Estrita Observância e os Iluminados da Baviera).

Traduzido pelo Irm. Antonio Gouveia Medeiros, P.G.M. do GOESC/GOB. Presidente do Colégio de Estudos do Rito Schröder de Florianópolis – SC Membro Honorário da B.A.R.L.S. “CONCORDIA ET HUMANITAS”, Nr. 56 Membro da Loja Maçônica de Estudos e Pesquisas “Universum”, Nr. 147 ambas da Jurisdição da M.R.G.L.M.E.R.G.S.

Eleições 2016 – Loja Schröder

O que é?

A campanha “Eleições 2016 e- Loja Schröder” tem por objetivo explicar à população como funcionam as eleições no Brasil, além de temas relacionados à política.

Objetivo

Levar ao conhecimento da população um pouco do ambiente eleitoral, além do cotidiano da política em linguagem simples e através do meio de acesso mais acessível atualmente, que é a internet.

Resultados esperados

Espera-se que, por um lado, possamos cumprir nosso papel cívico de levar o conhecimento à população e, por outro, divulgar uma ação cidadã e que condiz com a preocupação maçônica do progresso do município de Maringá – e, por que não, do país, pois a campanha estará acessível na internet.

Acompanhe nossa fan page: https://www.facebook.com/eleicoes2016lojaschroder/

Música e emoções

A Musica não tem distinção quanto a escolha de seu ouvinte , seja ele ricou ou pobre , preto ou branco , de qualquer religião ou não a música é livre de preconceitos ela é para ser ouvida por qualquer um basta querer.Os preconceitos e classificações são formulados e rotulados por nós ouvintes.

O ser humano é essencialmente musical, seja no ritmo corporal (andar, mastigar, falar…), seja no ritmo fisiológico (respirar, nos batimentos cardíacos…), e a música tem se mostrado importante para o neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas. Enfim a pode se dizer que a Musica nos acompanha em todas as etapas de nossas vidas . Seja na escola primaria , faculdade , eventos sociais , religiosos , confraternizações e socialização. Podemos usar a musica para melhorar a nossa qualidade de vida, para melhorar o desempenho do cérebro, para estimular o cérebro e para acalmá-lo.

Do lado psíquico, a música acompanha praticamente todos os momentos emocionais importantes nas nossas vidas, desde as canções de ninar até a música fúnebre. Isso contribui para a construção de relações de afeto com a música, afeto este que pode ser mobilizado na presença de determinadas músicas.

As respostas do ser humano à música são variadas por múltiplos fatores, desde a sensibilidade afetiva e cultural, afinidade musical, receptividade sensorial, educação e aprendizado, conjuntura social e outros. Fisiologicamente o som, com todas suas qualidades de ritmo, timbre e melodia, é uma das experiências sensoriais mais precoces do ser humano. Seus efeitos sobre o psiquismo são evidenciados a partir das cantigas das mães para embalar seus filhos. Esses sons precoces fixam-se indelevelmente no psiquismo do ser humano.

“A Importância do MESTRE de Harmonia em Sessões Maçônicas”

A Harmonia, em seu sentido mais amplo, é a ciência da combinação dos sons, o que forma os acordes musicais e tem por finalidade a formatação de uma das expressões na criação da Beleza. No passado, a Coluna da Harmonia era composta por Irmãos músicos que tocavam, buscando propiciar a harmonia que deve reinar entre os Obreiros e equilibrar as emoções durante os rituais maçônicos. Hoje, os músicos foram substituídos por aparelhagem eletrônica, operada pelo Mestre de Harmonia.

Os discípulos de Pitágoras estudavam a música como disciplina moral, pois ela atuava no controle dos ímpetos das paixões agressivas e no afloramento dos sentimentos nobres e elevados; por meio da música buscavam desenvolver a união, pois entendiam que ela instruia e purificava a mente, desse modo eliminando, pela audição de melodias suaves e agradáveis, a angústia, anseios frustrados, agressões verbais e stress mental. Portanto, em uma reunião Maçônica deve-se tocar a música que melhor traduza os sentimentos dos Irmãos em cada momento do ritual.

Correntes de Irmãos defendem a não programação de músicas de caráter religioso nas sessões ritualísticas, visto o caráter universal da nossa Ordem, evitando assim algum constrangimento de Irmãos que adotam outra religião. Corrente outra, sugere a não execução de músicas cantadas, salvo algumas entoadas por Coral, ou seja, na maioria das vezes deve se utilizar a música instrumental.

Outra corrente orienta que o fundo musical deve ser ouvido desde o início, quando da sala dos Passos Perdidos, com melodias que elevem os Irmãos aos mais nobres sentimentos, preparando-os para o início dos trabalhos, lugar onde devem estar paramentados e com as suas insígnias. A melodia pode ser de cunho religioso, de câmara, por ser um local onde todos se limpam mental e espiritualmente, deixando para trás as coisas do mundo profano, momentos de introspecção e a conscientização para a entrada no Templo, onde desenrolar-se-á a reunião de grande elevação espiritual.

ompreendem normas na Maçonaria que suas reuniões se realizem com músicas adequadas e propícias. As músicas são invariavelmente colocadas por hábito, por gosto ou por imitação, dificilmente associando o profundo trabalho de introspecção que é a litúrgica Maçônica a uma trilha sonora que estimule nos instantes de euforia, acalme nos momentos de meditação, espiritualize profundamente nos momentos de abertura e fechamento do Livro da Lei, que seja melodiosa e nos leve à profunda meditação do ato que fazemos quando os Irmãos Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro circulam com o Saco de Propostas e o Tronco de Benificência e, viva alegre e, no momento do encerramento.

A música utilizada tem que ser analisada, em razão da mensagem que se pretende transmitir, como exemplo, deverá causar impressões inesquecíveis na mente do iniciado, pois nestas sessões se transmite a síntese filosófica da Instituição em que se ingressa, pois os ensinamentos seculares que são transmitidos, quando associados a uma música adequada, serão sempre recordados quando da audição de tal melodia. Em função do discorrido, o Mestre de Harmonia deverá desenvolver o entendimento da psicologia da Harmonia na Maçonaria, pois assim auxiliará, influenciando na manutenção do estado de consciência espiritualmente limpa dos Irmãos que adentram ao Templo Sagrado colocando músicas melodiosas e suaves, convidativas à meditação.

Programando músicas cantadas, porque acha que são bonitas, muitas das vezes não está contribuindo para a Harmonia da sessão e a formação da concentração necessária, pois induz sentimentos outros que levam os Irmãos a fazerem imagens mentais que os tirem da manutenção da egrégora pelo efeito dos sons e do ritmo.

Por esse motivo, as músicas devem ser de caráter neutro, pois a melodia maçônica deve ser aquela que induza o Irmão a entrar dentro de Si, elevando-se à reflexão do seu Eu, e não propiciando o desvio dos pensamentos de Irmãos para ir ao ambiente externo no qual costumeiramente “aquela” melodia é ouvida.

O Mestre de hamonia

Na busca incessante do aperfeiçoamento individual, cujo fimmaior é o aperfeiçoamento coletivo. Tem, o verdadeiro Maçom, o dever deestudar os ensinamentos maçônicos, sendo este um dos princípiosfundamentais da Maçonaria, ou seja:“ A Maçonaria tem por fim combater a ignorância em todas as suasmodalidades. É uma escola que impõe este programa: obedecer às leis doPaís; viver segundo os ditames da Honra; praticar a Justiça; amar oPróximo, trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano econseguir sua emancipação progressiva e pacífica.”

Bibliografia

Ballone GJ – A Música e o Cérebro – in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, 2010.
http://vozdoadministrador.blogspot.com.br/2012/05/musica-faz-bem-para-saude-musica
http://www.revistauniversomaconico.com.br/ritualistica/a-importancia-do-mestre-de-harmonia-em-sessoes-maconicas
http://marciodutra.dominiotemporario.com/doc/musica.html
https://pt.scribd.com/doc/55173829/Trabalho-Mestre-de-Harmonia

AUTOR: IR. FABIO TEIXEIRA

A garota surda e o violino

Irmãos,

Este é um trabalho um tanto diferente para os nossos padrões. Mas acredito que a impressão que ele nos dará, para os nossos olhos e ouvidos, será de grande proveito. O trabalho é sobre um video que, primeiramente, vai ser tocado inteiro. E, não apenas tocado aí pros irmãos verem. Mas sim comentar sobre ele. Uma vez tocado, em seguida, irei apresentar o trabalho segundo minha percepção particular do que vi e ouvi. São as minhas conclusões e observações do video. E, por ultimo, tocamos mais uma vez o video, agora observando detalhadamente as mensagens detectadas do trabalho.

– o vídeo começa mostrando um cena, meio que típica de um grande centro urbano. Um homem de vestes simples, de barba mal feita, com um boné na cabeça virado para trás. É um mendigo. Ele esta tocando violino em meio as pessoas que o assistem. Entre as pessoas, o vídeo destaca uma pequena garota, uma criança. Percebe-se que ela está ao lado de uma mulher adulta, talvez sua mãe quem sabe. A garota observa atentamente o violinista em seus movimentos suaves e ondulados de seus braços e tronco, típico de alguém que toca este instrumento. Pois é preciso friccionar, com harmonia, as cerdas do arco nas cordas do violino. Percebe-se o brilho nos olhos dela, pois o vídeo faz o foco em seu rosto. Em correspondência, o mendigo a observa com atenção. E de forma bem sutil, sorri para ela. E, ele sabe muito bem que a garota, pelo brilho naqueles pequenos olhos negros, é alguém que deseja tocar violino.

Ele é surdo. E, ela também.

O mendigo, por ser surdo, desenvolveu muito bem os outros sentidos, especialmente o da visão. Por isso ele não teve dúvidas, ao observar a garota, observando-o daquela maneira especial, que só os dotados de uma visão desenvolvida, como a dele, poderia enxergar que a garota tinha potencial para aprender. Assim como um dia, ele também, aprendeu a tocar o violino.

Naquele momento ele estava tocando uma das peças mais famosas do alemão Johann Pachelbel, Canon, datado de 1680. É uma peça barroca até hoje interpretada por diversos músicos e orquestras, tornando-se até música-tema para filmes. Esta obra, mais do que seu compositor, alcançou fama mundial até os dias de hoje e atualmente é muito executada em casamentos por sua doçura e suavidade.

As cenas seguintes do vídeo é mostrado a pequena garota, um pouco mais crescida. E bem neste começo, digamos que desta fase, ela está a frente de um carro, carregando em sua mão a maleta que leva o violino. Ela, não percebe que está na frente de um carro, e o carro, buzina, buzina pra ela sair da frente. Mas, ela continua a andar despercebida. Aqui é demonstrado o começo do desafio. Esta cena demonstra de forma bem rude, mas bem rude, que algo falta nela, e algo muito fundamental, para aquilo que ela deseja fazer, que é tocar violino. Logo, vem a inveja do ser humano.

Ela estava carregando a maleta do violino para ir a sua aula de música. Onde, uma outra garota estudante de piano, bem em frente da garota surda, gritava para ela de forma irônica: “O pato que tenta voar. Uma garota surda que tenta tocar violino! Você é louca? Porque não vai aprender outra coisa?” Este é um vídeo tailandes, por isso a associação com as coisas do cotidiano deles, como o pato. Deve ter muito pato que não sabe voar lá. Não sei! Mas, percebe-se a associação. Eles devem saber que o pato, por mais que tente, não vai voar. E ela, por ser surda, por mais que tente, não vai tocar violino. Em seguida no vídeo, a garota pianista finaliza o seu monólogo, que precisa ser em frete da garota surda, para que esta possa entender por leitura labial, gritando: “Você está desperdiçando o tempo de todos.” Isto, esta ultima frase, é pra colocar sentimento de culpa na mente da doce garota, que nao esboçou reação alguma. Creio que, desperdiçar o tempo dela, mesmo tentando aprender a tocar o violino é uma decisão dela, e somente dela. E as consequências disto, somente ela deverá encarar. Mas fazer ela pensar que, ela aprender a tocar faz com que os outros perderem tempo, é uma coisa que as pessoas com espírito “bom” se incomoda. Jamais queremos ser um “peso” para alguém. E foi esta semente de maldade que a pianista plantou na cabeça da garota. Além da história do pato.

Inconformada, triste, a doce garota, busca apoio ao mendigo que se apresentava, novamente, com o violino em meio ao publico. Mas, a principio, ela está com medo, e não queria que ele a visse com esta expressão, por isso ela não estava a vista do mendigo enquando ele se apresentava. Por outro lado, de alguma forma, o mendigo sabia da presença da garota, pois ao finalizar sua apresentação, abaixa-se e começa a guardar seu violino e, mesmo sem virar-se para olhar para o lado ele pergunta com sinais: “Você ainda toca violino?”. Depois que ele pergunta, é que ele vira a cabeça para o lado e a observa. Acho que a ligação entre eles tornou-se forte o bastante para ele conseguir sentir a sua presença. Talvez. A garota começa a chorar, olha para baixo com vergonha. Talvez eu tenha percebido errado sobre o homem que eu chamo de mendigo. Talvez ele não seja um. Nesta cena eu não vejo ninguém dando dinheiro para ele apos a sua apresentação. Todos vão embora sem deixar nada. Talvez ele seja apenas uma pessoa de simples trato e que não dependa financeiramente de tocar violino pra viver. Talvez, tocar para as pessoas o faz bem, o liberta. Talvez no passado ele tenha feito algo de ruim pra muita gente e, agora, ele quer se redimir. Porque vaidoso ele não é, ele não quer ostentar a prática de tocar violino. Olhe pra ele. Mas, de qualquer forma, vou continuar chamando-o de mendigo.

Instantes após, já sentados a beira de uma calçada, eles conversam pela linguagem dos sinais. Notei que o mendigo, percebendo a tamanha tristeza na garota, permaneceu calmo e, como um bom ouvinte deixou ela expor a situação primeiramente. “Porque eu sou diferente dos outros?” Ela pergunta. A semente de maldade, plantada pela pianista, germinou e cresceu. E o mendigo responde com uma pergunta, “E porque você precisa ser igual aos outros? Numa conversa franca entre pessoas, e não porque eles são surdos e, ainda mais onde expõe-se compaixão, é necessário olhar diretamente nos olhos e, sentir. Foi o que aconteceu. O mendigo continua dizendo: “Música é uma coisa visivel. Feche os olhos e irá ver!”. Filosofia hermética. É visível, mas é preciso fechar os olhos para ver. Isso mesmo. É como tentar compreender o universo, é preciso olhar para dentro de si mesmo para compreendê-lo. “O que está dentro é como o que está fora”, segundo Hermes Trismegistus. Se pudermos compreender e explorar o que está dentro de nos, certamente será mais compreensível os nossos próprios sentidos, que esta fora. Isto também vale para ela mesma investigar dentro de si e responder o “…porque eu sou diferente dos outro?”. Os irmãos companheiros do nosso rito sabem muito bem disto. É neste momento do vídeo que é mostrado que, quem deu o violino para a garota, foi o próprio mendigo tempos atrás. E, é evidente que, foi ele que começou a ensinar a ela tocar.

Na seqüência, digamos apos ter recomposto sua confiança em si mesma, a garota se encontra em meio a natureza, num campo, tranqüila, sentindo o ambiente ao seu redor pelo sentido do toque. Esta concentrada e, seguiu o conselho do mendigo, fechou os olhos e tocou seu violino. Ela queria participar do concurso de música clássica. E a garota pianista também. A pianista, esta treinando para isto com a ajuda de uma professora particular. Isto demonstra o nível econômico dela. A pianista faz perseguição. E, como sempre, a maldade está acompanhada, sempre são mais numerosos do que o lado da bondade. No vídeo mostra que a pianista tem uma amiga, submissa, pois sempre está um passo atrás e, a garota surda sozinha. Na cantina da escola a pianista esbarra, propositalmente, na garota surda, que estava carregando uma bandeja com seu lanche e, que cai no chão. A pianista a encara com raiva dizendo “O que foi? Algum problema?”, a violinista a olha, como que pensando, “olha meu lanche no chão,…, mas porque?”, ela ficou sem reação e não fez nada. Mas adivinha, quem vai para a sala da diretora por causa deste incidente? Isso mesmo, a nossa doce garota violinista. Desafio que é desafio, tem que ser difícil. E, também sabemos que, quanto maior o sofrimento maior será a glória. O lance da sala da diretora no video foi bem sutil, deu menos que 3 segundos de duração. Um detalhe. Pois mostra a doce garota cabisbaixa, sentada numa cadeira em frente a uma mesa que esta seu violino. Mas o que denunciou que seria a sala da diretora foi o aquário lá atras. Ora, diretora de uma escola deve agüentar muita coisa, é muita pressão, de todos os lados. Lidar com seres humanos não é fácil. Então, que tal um aquário terapia.

Não é preciso certificar-se da personalidade da amiga da pianista, pois sabemos que as pessoas que nos rodeiam é que nos definem. “Diga-me com quem andas e te direi quem és!”- ditado popular. “Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mal”-provérbios.

As próximas cenas, mostram cenas intercaladas, entre a violinista e pianista. É neste ponto que é percebido que a violinista seria uma forte concorrente no concurso de música. Até o momento, o vídeo estava tocando o som harmônico e suave da peça do alemão Johann Pachelbel, mas mudou rapidamente, para uma melodia, um ritmo, digamos dramático, quando a pianista, de dentro do carro de seus pais, vê a garota surda tocando violino, alegremente, junto com o mendigo rodeados de pessoas. Isto é para enfatizar o plano “Maquiavélico” da pianista sobre a dupla de surdos. O adjetivo maquiavélico, tem uma conotação, errônea, de negativa, de má fé, de maldade, isto devido a obra de Nicolau Maquiavel, político e escritor florentino, autor da obra “O Príncipe”. Pois os estudiosos afirmam que esta obra foi mal interpretada, Maquiavel discreveu sobre o que observava na política, mas seus escritos foram lidos como conselhos. A mais citada afirmação desta obra é, “Os fins justificam os meios”.

Continuando no ritmo dramático, que também é a peça de piano que a vilã irá tocar no concurso, é mostrado a pianista, também muito concentrada, na sua aula particular e com professora particular de piano. A arrogância toma conta dela. A professora quer ensinar, mas a pianista “sabe tudo!”. Na verdade não se pode ensinar uma pessoa que acha que sabe tudo. Ela tira a mão da professora da partitura a tapas. Cega pelo ódio. Enquanto isto, é mostrado, em segundo plano, o resultado do plano maquiavélico sendo executado. Um bando de garotos, atacam o mendigo a socos, quebram o violino da garota no chão e, também é mostrado, a finalidade de tudo isto, que é vencer o concurso de música clássica facilitado com a ausência da violinista. E, em primeiro plano, o sorriso cruel estampado no rosto dela, da pianista.

O vídeo é compacto, tudo isto tem de ser mostrado em 4 min.., por isso, a todo momento, ha sempre a sobreposição de imagens. Uma delas é agora, quando é quebrado o violino da garota surda no chão, é o exato momento em que a pianista termina sua apresentação no concurso. Simbolizando que a vitória foi duplamente selada, uma por ter quebrado o violino e, outra por ter terminado sua apresentação de forma “incrível”. E ela sabia disto, não pela afirmação a todos os presentes do apresentador do concurso, mas por ela mesma. Sentindo-se vitoriosa e já se retirando do palco, ela se vira novamente ao palco com ódio em seu rosto e sem acreditar, após o apresentador declarar no microfone que existe mais uma participante. A garota surda.

A garota surda esta acima do palco com seu violino todo remendado com fitas adesivas. Ela não tem medo. Muito menos vergonha. Sabemos que ela tem em sua essência a simplicidade no coração. No momento, sua base de inspiração é o mendigo. Pois ele é mostrado desacordado, deitado numa cama de hospital, com a garota surda segurando sua mão. Sei que estava no hospital devido seu roupão branco. E os principais ensinamentos dele vieram a sua mente: “Música é uma coisa visivel. Feche os olhos e irá ver!”. E, antes de começar a sua apresentação, foi isto o que ela fez.

Ao começar a tocar o violino, já de imediato chamou atenção. Um homem que estava entediado, quase dormindo, na platéia se endireitou em seu assento, demostrando atenção na apresentação. Ela começou sua apresentação e, durantes alguns poucos segundos, tocou o violino de forma bem calma, num ritmo vagaroso. Poderia tocar a peça inteira numa melodia como está, vagarosa. Mas ela estava tão preparada que isto não era suficiente para ela. Então partiu para o que, certamente, é a parte mais difícil da música. Pois é um ritmo acelerado, o movimento de seus braços indicam isto. Ela estava em transe, em sintonia, em harmonia com seu instrumento. Muitos músicos dizem que, ao praticar muito, quando se ama o que faz, quando realmente se conhece o seu instrumento, o instrumento se torna uma extensão de seu corpo de seus braços. Achou que foi isto que aconteceu.

Durante a apresentação, em seu transe, veio tudo, tudo, a sua mente. Primeiro a parte ruim, todas as dificuldades que ela enfrentou durante seu preparo. A discriminação, a perseguição, a intolerância, a impaciência, a tristeza, a indignação, a violência contra o mendigo e o violino…. Depois veio a parte boa, ela em meio a natureza, num campo aberto, sozinha tocando seu violino. Em paz. Tudo isto olhando para o seu interior. Então é mostrado a parte que é ligada diretamente a deficiência auditiva. É mostrado um casulo de lagarta de borboleta ainda fechado e, que vai se rompendo para uma linda borboleta sair, uma metamorfose. A borboleta então, esta livre para seguir o seu caminho, o seu destino e sai voando para o horizonte. Isto é uma referência a Dra. Ciwa Giffiths, professora dedicada aos surdos. Ela desenvolveu a Abordagem auditiva: ajudar as crianças com deficiência auditiva ganham o dom da fala por meio da identificação precoce da perda, a amplificação com aparelhos auditivos e treinamento auditivo em aprender a ouvir e falar. Pioneira neste ramos ela criou o hear Center, criado em 1954 na Califórnia estados unidos, e funciona até hoje. Sua frase mais famosa é:

“Saia, pequena borboleta:
Crianças surdas lembra-me de borboletas:
Primeiramente encerrada dentro de um casulo de silêncio profundo.
e, em seguida, quando o som e cadências de amor alcança-os,
eles surgem em todas as suas cores individuais de tonalidade suave ou brilhante!”

A autora brasileira, Patrícia Rodrigues, do livro surdez: silêncio em voo de borboleta, também diz: ter escolhido o título deste livro baseado em momentos muitos difíceis que a autora passou. Eram fases como a de um casulo, em que os resultados eram poucos e quase não se falava. Com os estímulos, aos poucos ela começou a se expressar em palavras que tinha assimilado visualmente através de leitura labial. E esta liberdade de comunicação com o mundo, segundo ela, lhe permitiu alçar “vôos de borboleta.”

Me parece então que a garota surda conseguiu sair de seu casulo e alçou vôos a liberdade.

Ao encerrar sua apresentação, é mostrado os jurados em silêncio boquiabertos, surpresos com a fantástica apresentação. O silêncio do ambiente e o transe da garota surda é quebrado com um homem que se levanta e começa a aplaudir. Nota-se que o seu aplaudir não é aquele aplaudir protocolar de respeito, mas sim de reconhecimento. Suas palmas são rápidas. Então todos os presentes se levantam, gritam e aplaudem. Exceto a pianista, talvez neste momento ela tenha reconhecido a sua derrota. Pois a garota surda apresentou-se melhor, e fez por merecer. A violinista, neste momento, sentiu que é possível sim ir contra o que parece ser impossível e vencer.

Conclusão: são muitas, muitas as mensagens deste vídeo. Desde a eterna luta do bem contra o mal, da pobreza contra a riqueza é contada neste vídeo. Que em momentos difíceis, de tristeza, você deve buscar conselhos de seus verdadeiros amigos, neste exemplo, que entendam entre si, ambos eram surdos, e que as mares de dificuldades não vem pra ficar. Sempre elas vem e vão.

A persistência em algo que você acredita deve sempre estar aos lados dos vencedores. Tudo é possível aquele que crê. Mesmo parecendo impossível. E, que não deve ser confundido com teimosia, que é a persistência num erro.

E, que fim levou o mendigo. O que vocês acham? Ele morreu? Pois cumpriu a tarefa de ensinar e sair do casulo? Pois não tendo mais nada a fazer aqui se foi? Deixo a resposta a cada um de voces.

Tudo que foi dito, é a minha interpretação daquilo que talvez possa estar, de certa forma escondido, no vídeo. Só com a profunda observação, investigação, pode se chegar a real mensagem que o autor, o artista, deseja passar. É preciso ter conhecimento pra ver estas coisa. Reparar nestas coisas. Que na verdade estão a toda volta mas poucos consegue enxergar.

Este video é de um comercial de shampoo. Comparem, posteriormente e mentalmente, aos comerciais que costumamos ver em nossa televisão aberta.

Autor: Ir. Rogério Imai

Chaves: um exemplo de maçonaria?

imagesFaleceu no último dia 28 de novembro o ator, escritor e dramaturgo mexicano Roberto Gomez Bolaños, conhecido no meio televisivo por “Chespirito” e famoso por criar e interpretar dois personagens marcantes: Chaves e Chapolin Colorado. Exibido originalmente de 1971 a 1979 no México e a partir de 1984 no Brasil, a história do seriado Chaves passa por uma Vila, no subúrbio, em que os carentes moradores atravessam dificuldades para vencer o cotidiano.

Chaves, o protagonista, foi abandonado pelos pais na vila e reside em um barril. Sem ter quem o sustente, vive de favores da vizinhança, formada pelo sempre devedor de aluguéis, o Senhor Madruga; pela filha de Madruga, Chiquinha; Por Dona Florinda e seu filho Quico, talvez a família em melhor condição social do local; pela Dona Clotilde, a Bruxa do 71; pelo Professor Girafales, que sempre visita a vila e leciona para as crianças do local; e por Senhor Barriga, o proprietário da vila e seu filho Nhonho.

Neste enredo, a história se repete: as confusões começam entre as crianças (Quico, Chiquinha e Chaves) e desencadeia para os adultos (Seu Madruga e Dona Florinda, basicamente) e o culpado de tudo é a criança menos favorecida em todos os sentidos: Chaves. Para quem lê, tal história poder-se-ia tornar enfadonha, repetitiva; mas a genialidade de Bolaños fez com que o seriado se tornasse um clássico, exibido em toda a América Latina.

O menino desamparado, faminto, conseguia a felicidade com muito pouco: ora com um sanduíche de presunto, ora com uma bola de tênis (bem menor que a bola de parque do Quico). Alegrava-se com um carrinho feito de caixa de sapato e puxado por uma corda. Ficava feliz com a guerra de água, barro, tinta ou qualquer outro ingrediente. Empolgava-se em poder exercer uma profissão, talvez o desejo da maioria das crianças da época, um sonho distante, inacessível.

O seriado fez tanto sucesso nos países em que foi exibido por retratar o drama da maior parcela da população destes locais: crianças abandonadas, sem perspectiva de futuro, em um cotidiano pobre, em que a exploração do aluguel nos deixa rico e dever se torna sátira; em que uma mãe viúva busca o melhor para o filho, mas fica presa ao sistema; em que o professor almeja ter mais que o respeito, mas sim proporcionar um futuro melhor a todos os seus alunos.

Identificamo-nos pelo universo pobre de Chaves, em que ascender à classe média nos faz melhor, diferentes, poderosos. Exibir a marca da roupa do verão, ostentar carros e viagens são exemplos disso. Na maçonaria podemos caminhar para o mesmo destino: construir templos suntuosos, em que o luxo interno não reflete o mundo exterior; investir em paramentos dispendiosos, que serão utilizados apenas nas sessões para pose de belas fotos; realizar promoções apenas para desejo próprio, sem auxiliar quem realmente precisa.

O que quero dizer com este trabalho é que podemos sim fazer uma maçonaria ao estilo Chaves, sem irritar ninguém, sem aproveitar-se da nobreza de ninguém (ao estilo Chapolin), sem querer querendo. Podemos seguir sim com a simplicidade que nos rodeia, ao estilo proposto pelo Rito Schröder, em que o ser significa mais do que o ter. Podemos nos satisfazer com um riso de uma criança pobre abandonada, que deseja ser feliz e que precisa de tão pouco para alcançar esta felicidade. Podemos trabalhar em prol de uma maçonaria mais fraterna e unida, dizimando a discórdia e a vaidade que tanto combatemos. Podemos tolerar mais nossos irmãos e perdoar 14 meses de aluguel. Podemos ser mestres, ensinando um neófito, mas sem se esquecer que devemos seguir como eternos aprendizes. E, ainda que a vizinha nos dê um tabefe sem saber o motivo, devemos nos levantar e lutar por aquilo que acreditamos.

Para ser maçom não é preciso ter muito. Apenas aquilo necessário para ingressar na ordem, cumprir as obrigações e atuar para um mundo melhor. Não se faz necessário ingressarmos em grandes manifestações, em revoltas vazias e que traduzem o sentimento da massa perdida. Ser maçom em nosso rito é ser como o Chaves: não é preciso ter uma casa grande, apenas um pequeno barril nos abriga; o alimento, ainda que pouco, nos sustenta; um templo em uma sala comercial locada já é suficiente para nos abrigar; um abraço fraterno, perdoando aquele que à vezes nos ofende já nos anima. E, se tudo isso não funcionar, não nos esqueçamos de que para Chaves os animais que podem comer de tudo são chamados ricos…

Autor: Ir. Tiago Valenciano

A prática do Rito Schröder no Brasil

Praticamos o Rito Schröder em nossa loja. É um motivo de grande orgulho para todos os Irmãos que conhecem esse fantástico método de ensinamento maçônico. Não é incomum que irmãos passem a enaltecê-lo, seja no trabalho maçônico do rito, seja para contar como ele é diferenciado para outros irmãos de outros ritos. Mas, por mais “restrito” que seja nosso trabalho, existem mais lojas que atuam no sistema Schröder. Assim, questionamos: como não somos uma ilha isolada dentro da universalidade que a maçonaria é, existem mais lojas praticando o rito? Se sim, onde estão localizadas?

Nosso objetivo é apresentar um breve censo demográfico dos irmãos que praticam o Rito Schröder no Brasil e em quais Estados estão distribuídos. Além disso, elaboramos uma estimativa de irmãos, com base nas informações do Colégio de Estudos do Rito, que iniciou suas atividades aos 26 dias do mês de Maio de 1997, com a fundação da Loja Estrela Matutina em SC, para dar suporte ritualístico às Lojas do Rito Schröder no Brasil. Atualmente a diretoria é composta pelos Irmãos Antonio Gouveia Medeiros (In Memorian), Rui Jung Neto, Ari de Souza Lima, Luiz Roberto Voelcker e João Rufatto.

Segundo os dados do Colégio de Estudos, existem 119 lojas praticando o rito no Brasil,
distribuídas conforme a tabela abaixo:

ritoschrodernobrasil

Como se vê, o Estado que possui o maior número de lojas é o Rio Grande do Sul que, apesar de não abrigar a primeira loja do rito no Brasil (esta que iniciou seus trabalhos em 1855 em Joinville-SC), abriga uma grande quantidade de irmãos de origem alemã, a mesma origem de Friedrich Ludwig Schröder, o criador do Rito e patrono de nossa loja. Na segunda colocação aparecem as lojas de Santa Catarina, seguido do Rio de Janeiro e Paraná / Ceará, empatados em quinto lugar com 7 lojas cada.

Falando isoladamente do nosso Paraná, possuímos 7 oficinas, sendo 2 do Grande Oriente do Brasil (Curitiba e Cascavel) e 5 do Grande Oriente do Paraná (Duas em Curitiba e uma em Londrina, Ponta Grossa e Maringá). Como se observa, o rito está disseminado por praticamente todas as regiões do Estado, mas ainda carece de expansão, sobretudo no interior e na Grande Loja do Paraná que, apesar de estar habilitada a praticar o rito, ainda não o possui.

Por fim, se distribuirmos as lojas por região geográfica, obtemos os seguintes resultados: Região Sul com 54 lojas, Sudeste com 27, Nordeste com 20 e Centro Oeste e Norte com 9 lojas cada. Vale ressaltar, ainda, que a tendência de lojas no eixo sul/sudeste prevalece, com recente expansão do rito para o nordeste e o norte/centro-oeste. Se estimarmos 30 irmãos para cada loja, são 3570 maçons no Brasil praticando o Rito Schröder, algo em torno de 1,7% do total de 211 mil maçons existentes no país, distribuídos pelas mais de 6.000 lojas, segundo informações obtidas no anuário “List of Lodges”, de 2011.

Assim, podemos salientar que a participação dos irmãos no Rito Schröder ainda é incipiente no Brasil, abarcando quase 2% do total de maçons no país. Tal explicação deve-se, a meu ver, a três fatores: 1) cultura predominante do Rito Escocês Antigo e Aceito, o mais popular e difundido no país; 2) recente expansão do Rito Schröder, aumentando significativamente o número de lojas/maçons de 1997 (com a fundação do Colégio de Estudos pra cá); 3) pouca divulgação e interesse dos irmãos pelo rito, algo que deve e pode aumentar daqui em diante.

Se quisermos que o Rito Schröder passe a ser mais conhecido e divulgado – conforme
apontado acima, isto só depende de nós. A recente experiência da nossa loja em Maringá mostra isso: de um rito totalmente desconhecido na região a um sistema de estudo praticado, divulgado, aceito e admirado pelos irmãos. O trabalho apenas teve início e ele continua, na busca incessante da divulgação dos princípios de humanismo e simplicidade maçônica, baluarte de que nós, maçons Schröder, só temos que nos orgulhar.

Autor: Ir. Tiago Valenciano

Bibliografia

COLÉGIO DE ESTUDOS DO RITO SCHRÖDER. Site do Colégio de Estudos do Rito Schröder no Brasil. Disponível em: < http://colegioschroder.org.br/lojas/&gt; Acesso em: 31 Out 2014.

ISMAIL, Kennyo. Maçonaria em números no Brasil. Disponível em: <http://www.noesquadro.com.br/2011/04/maconaria-brasileira-em-numeros.html&gt; Acesso em: 31 Out 2014.

JUNG NETO, Rui. A origem do Ritual Schröder em uso no Brasil. Disponível em:
<http://www.revistauniversomaconico.com.br/ritualistica/a-origem-do-ritual-schroder-em-uso-no-brasil/&gt; Acesso em: 31 Out 2014.

SOUZA FILHO, Ubyrajara de. História do Rito Schröder. Disponível em:
<http://www.buscaerea.com.br/schroder/pages/historia.asp&gt; Acesso em: 31 Out 2014.

Trabalho sobre a cerveja

Apresentado em Loja de Mesa

Meus irmãos eu vou apresentar rapidamente um trabalho que eu fiz especialmente para a ocasião. É muito propicio para o dia especial e alegre de hoje. É sobre a cerveja.

Primeiramente, irei fazer a apresentação e depois irei revelar o titulo do trabalho, que leva o mesmo nome da fonte de informação da qual me baseei pra fazer o trabalho.

A cerveja mudou o caminho da historia da humanidade. Não uma, não duas, mas varias vezes desde o começo.

Sua origem, apesar de diversos estudos mencionarem épocas diferentes, é no período de 9.000 AC. Imaginem meus irmãos, 9.000 AC. Relata-se que caçadores/coletores coletavam cevada selvagem como fonte de alimento. E, puseram num recipiente e saíram para uma caçada. Durante a caçada, choveu um pouco e umedeceu a cevada que estava no recipiente. A cevada cresceu e produziu açúcares. E, choveu novamente. O fermento selvagem da cevada converteu os açúcares em CO2 e álcool.
Quando os caçadores voltaram, viram o recipiente cheio de um liquido borbulhante. E, se aventuraram a provar. Foi de imediato. Um sucesso. E, a partir daí, queriam produzir mais e mais deste liquido. Então era necessário mais e mais cevada.
Criou-se daí uma explosão de novas tecnologias para atender a demanda de cevada.
– O plantio evoluiu de meros buracos individuais na terra para o arado.
– Na preparação da terra verificava-se que alguns lugares a terra estava seca e não produzia, criou-se a irrigação.
– Para não ter que ficar arrastando os sacos da produção, criou-se a roda e posteriormente a carroça.
– para dividir as fronteiras das fazendas entre seus campos, eles estudaram, daí criou-se a matemática e os cálculos.
– e a maior das invenções, também, é atribuída em consequência da produção de cevada para a cerveja, a escrita. A razão disto foi à necessidade de gravar a produção e a distribuição da cerveja.

No antigo Egito, a construção das pirâmides é atribuída à cerveja. Os trabalhadores nas pirâmides eram pagos em cerveja. Era uma racao diária de 4 litros de cerveja. E a cerveja na época, também, era moeda de troca. E, também, era uma fonte vital de nutrição. Era um dos seus alimentos mais básicos, baixo teor de álcool e alto teor de nutrientes e vitaminas. Que manteve os antigos fortes, saudáveis e absurdamente produtivos.
Na idade media, na Europa Medieval, a cerveja salvou milhões de vidas. A época era terrível. A falta de saneamento deixava a agua ser não potável. Se bebessem a agua, ficavam doentes. E o povo sabia que a cerveja era segura, podia-se tomar que não ficariam doentes. Eles não sabiam, mas no processo de produção da cerveja, na fervura da agua que deixava a cerveja mais gostosa, matavam-se todas as bactérias que os deixavam doentes.

Nos Estados Unidos a cerveja estabeleceu uma rede de comunicação. As tavernas eram os centros de comercio, de comunicação, eram o lugar que as pessoas passavam informação pra lá e pra cá e, sempre a cerveja acompanhou estes lugares. Em 16 de Dezembro de 1.773, na Taverna do Dragão Verde em Boston, a luta contra a libertação dos ingleses começava. Ali as atividades revolucionarias eram debatidas, discutidas, conspiradas e planejadas sempre com muita cerveja.

Na década de 1.850 o cientista Louis Pasteur, inventou a pasteurização. As pessoas sempre o ligam ao leite, mas Pasteur ao descobrir, estava estudando, na verdade, a cerveja. A cerveja foi a primeira bebida a ser pasteurizada. Ele já tinha reparado que a cerveja estragava. Chegou a conclusão que estragava porque estava viva. Eram bactérias que a estragavam, e que também, poderiam deixar as pessoas doentes. Esta descoberta revirou o mundo da medicina moderna.

Ainda, nos Estados Unidos, imigrantes alemães trouxeram com ele uma cerveja nova. A LAGER. Esta era produzida somente em épocas frias, para que o processo de fermentação seja vagaroso. Para produzir o ano todo a indústria da cerveja financiou a pesquisa para produzir o frio artificial. E, em 1881 foi inventado primeiro refrigerador para a indústria da cerveja. Nem precisamos pensar muito na revolução que esta invenção causou.

Nas industrias de modo geral, pensa-se que a fabrica com produção em serie, foi inventada por Henry Ford e o carro motorizado. Mas não é verdade, há registros de pelo menos 10 anos antes já existia uma maquina que produzia em serie garrafas para a cerveja.

Então meus irmãos, ficção ou não, é um trabalho totalmente baseado no documentário da Discovery Channel, com o mesmo titulo, de “Como a Cerveja Salvou o Mundo”.

Autor: Ir. Rogério Imai

Ordem Demolay

Sem título

HISTÓRIA:

Foi fundada em Kansas City nos Estados Unidos em 18 de março de 1919 pelo maçon Frank Sherman Land, que após a morte do pai do menino Louis Lower, foi visto na figura de pai e conselheiro.

Foi em fevereiro de 1919 que Louis Lower e oito amigos se reuniram num templo Maçônico com Frank Sherman com a finalidade de formar uma nova organização de jovens. Nunca nenhum deles poderia sonhar, menos ainda Frank, que no espaço de 40 anos o Movimento estaria ativo em 14 países e territórios tendo assim iniciado centenas de milhares de rapazes e algumas personalidades mundiais.

A procura de um nome para nova organização, um dos jovens sugeriu que por estarem num Templo Maçônico, alguma figura histórica ligada à maçonaria deveria ser lembrada. Foi escolhido então, o nome de Jacques DeMolay, último Grão Mestre dos Cavaleiros Templários e morrera como um Mártir da lealdade e tolerância.

O Ritual DeMolay foi escrito pelo Maçom e Jornalista Frank Marshall, e permanece praticamente inalterado até hoje, exceto por poucas palavras. A organização tornou-se também bem sucedida e conhecida por serviços de caridade, treinamento da cidadania e atividades sociais sadias. A Ordem DeMolay realmente assegurou-se uma história imortal de sucessos, através de seu trabalho para treinar líderes e garantir um mundo melhor para o futuro.

Foi trazida para o Brasil pelo Maçom Alberto Mansur, que fundou o Capitulo Rio de Janeiro, em 16 de Agosto de 1980.

O QUE É A ORDEM DEMOLAY?

A Ordem DeMolay é uma organização para jovens do sexo masculino com idade entre 12 e 21 anos, patrocinada e mantida pela maçonaria,com fins filosóficos, filantrópicos, e sem fins lucrativos, já tendo iniciado mais de 8 milhões de jovens em todo o mundo e mais de 200 mil no Brasil.

O DeMolay que completa 21 anos de idade, é denominado Sênior DeMolay, perde seu direito a voto e o de ocupar cargos efetivo, acompanhando os trabalhos do Capítulo apenas na orientação dos mais jovens.

Os princípios da Ordem são baseados em 7 virtudes cardeais, representadas por velas ao centro do templo, são elas:

  1. AMOR FILIAL
  2. REVERÊNCIA PELAS COISAS SAGRADAS
  3. CORTESIA
  4. COMPANHEIRISMO
  5. FIDELIDADE
  6. PUREZA
  7. PATRIOTISMO

Os baluartes da Ordem são a defesa das Liberdades Religiosa (representada pelo Livro Sagrado), Civil (representada pela Bandeira Nacional) e Intelectual (representada pelos Livros Escolares).

Assim como a Maçonaria possui o Corpo das Lojas de Perfeição após as Lojas Simbólicas, a Ordem DeMolay também se divide em dois Corpos. O primeiro, envolve os dois primeiros Graus: o Grau Iniciático e o Grau DeMolay, podendo ser comparado às Lojas Simbólicas. O segundo envolve os graus históricos, filosóficos e honoríficos, que compõe da Ordem da Cavalaria.

Os Graus básicos da Ordem DeMolay são o Grau Iniciático e o Grau DeMolay. Os DeMolays desses graus trabalham em Capítulos. Os Graus da Ordem da Cavalaria são trabalhados em Conventos ou Priorados.

Existem também honrarias concedidas a DeMolays que tenha desempenhado serviços notáveis e meritórios em beneficio da Ordem, uma delas é conhecida como Honraria Chevalier.

OFICIAIS DE UM CAPÍTULO

Em todas as reuniões de um Capítulo, os oficiais utilizam capas e suas respectivas joias

  • MESTRE CONSELHEIRO: Dois malhetes cruzados
  • 1° e 2° CONSELHEIROS: Um malhete
  • 1° e 2° DIÁCONOS: Pássaro (pomba)
  • 1° e 2° MORDOMOS: Cormucópia
  • ORADOR: Papiro
  • ESCRIVÃO: Pena (caneta)
  • TESOUREIRO: Chave
  • SENTINELA: Espada
  • CAPELÃO: Livro Sagrado
  • MESTRE DE CERIMÔNIAS: Dois bastões cruzados
  • MESTRE DE HARMONIA: Harpa
  • HOSPITALEIRO: Sacola (tronco da solidariedade)
  • PORTA BANDEIRAS: Bandeira ou estandarte
  • PRECEPTORES: Coroa da Juventude

Autor: Ir. Pedro Machado

A Pedra Bruta

Aprendiz (1)“A pedra bruta dentro da maçonaria simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o maçom deve esforçar-se para corrigir.”

A pedra bruta está representada no tapete do nosso templo, ficando posicionada do lado norte do mesmo, mesmo lado onde ficam sentados os aprendizes em loja aberta. É uma porção de pedra natural, de granito ou outra espécie, tosca, assim como foi encontrada na natureza. Esta pedra representa o aprendiz que necessita retirar de si mesmo todas as arestas que o tornam bruto e disforme. Sem habilidade e orientação o aprendiz nada conseguirá, a não ser fragmentar a pedra em outras porções, também brutas e disformes.

A superfície da Pedra Bruta é rugosa e áspera. Assim, a luz ao incidir numa superfície assim é absorvida. Assim também é o aprendiz maçom, que ainda não reflete a luz que recebe da maçonaria. Apenas após ser trabalhada a Pedra Bruta, transformando-se em pedra polida, as suas faces lisas passam a refletir e distribuir a luz que nela incide.
A pedra bruta também pode ser associada e simbolizar a Liberdade. Mas pode a pedra bruta simbolizar liberdade? Pode, pois ao partirmos do pressuposto que o profano, que é escravizado por um mundo repleto de preconceitos, paixões e intransigências de fórmulas absolutas, e no anseio pela verdade bate à porta de nossos templos clamando pela Luz de uma loja justa e perfeita, após sua acolhida, o neófito estará libertado iniciaticamente de sua servidão anterior… E neste mesmo instante, o iniciado simbolizará sua liberdade pela Pedra Bruta, com a qual ele se identificará. Sim, o aprendiz maçom, que pela sua iniciação renasce, se liberta de tudo o que a sociedade lhe proporcionou de artificial e mau, e reencontra tudo o que havia lhe sido tirado de espontâneo e bom, reencontra sua liberdade de pensamento, e com os instrumentos que lhe são fornecidos terá que desbastar sua pedra, tirando-a do estado de pedra bruta para torná-la perfeita, imprimindo-lhe caráter e personalidade própria.

Ainda, podemos comparar a Pedra Bruta à Rocha Mãe, rocha que serve de base para a transformação do solo. Assim, a Rocha Mãe vai se fragmentando em pequenos pedaços, que vão se modificando, refinando e polindo, até que ao final do processo possa se converter em solo fértil, onde germinam sementes.

O aprendiz é a própria Pedra Bruta, que representa seu atual estado de imperfeito desenvolvimento para converter-se em estado de perfeição interior. Porém, sabemos que a perfeição é inatingível, e sendo assim, resta-nos evoluir em etapas, removendo as arestas através de sucessivos graus de perfeição relativa. O desbaste da pedra bruta inicia-se no próprio reconhecimento da nossa imperfeição. Podemos até exemplificar: quando o aprendiz releva um aborrecimento causado por um irmão, está desbastando arestas. Quando se livra da arrogância e exercita a tolerância, mais arestas são removidas. Contudo, a melhor forma de desbaste da Pedra Bruta é a comprovação fraterna, com provas de amor fraternal. É dando que se recebe, dizia Machado de Assis, em uma de suas mensagens de amor. Este é o caminho certo para o aperfeiçoamento, que certamente será longo e cheio de sacrifícios, mas certamente vale a pena ser trilhado.
A pedra bruta representa a cegueira e a ignorância das paixões humanas indomáveis, do pensamento livre e da teimosia, do mau gosto e do individualismo egocêntrico.

Muito sutil será a análise dos restos da pedra bruta, após surgir a obra acabada. Nada se joga fora, pois tudo é sagrado! Assim como nas obras da engenharia onde a pedra bruta agrega e auxilia na estruturação das grandes obras, para a nossa ordem a pedra bruta também é importante, representando a todos os maçons a eterna busca pela perfeição relativa.

Assim, podemos afirmar que a maçonaria está aberta aos homens valentes, que estão dispostos a desbastar a Pedra Bruta.

Ir. Marcelo Ricardo Dias, apresentado em 13/06/2014.

Fontes:
Livro Trabalho do Seminário de Mestres Maçons da Aug:. Resp:. e Gr:. Ben:. Loj:. Cap:. Amor e Caridade II, em 1980 – Oriente de Ponta Grossa, de Renato Cevenini Salvador Ramos, Nelso Romeu Schwingel, Elmar Thomé e Rubens Vieira
ABC do Aprendiz, de Jaime Pusch
A simbólica maçônica, de Jules Boucher

O Avental de Aprendiz

Image1Desde minha iniciação me deparei com rituais e símbolos da Maçonaria que devemos aprender e talvez mais importante, interpretar.

Nos primórdios quando os maçons detinham o segredo das construções de castelos, catedrais e templos, no momento do desbaste da rocha, da pedra bruta, o Avental era usado para proteção.

Hoje, o aprendiz, simbolicamente desbasta a pedra bruta vencendo suas paixões, seus vícios, enfim, seus defeitos e impurezas trazidas da vida profana; eis que agora como Maçom irá instruir-se e aperfeiçoar-se como homem cada vez melhor para a vida social.

Existem várias interpretações para a abeta levantada. A explicação esotérica, ou analógica, mais corrente e mais de acordo com a mística maçônica é a seguinte: acreditava-se na antiguidade, que a sede das emoções humanas era o epigástrio (boca do estômago), o Avental do Aprendiz estando com a abeta levantada cobriria exatamente essa região. Isso significa que não sabendo ainda trabalhar ele precisa proteger-se, devendo ter o seu epigástrio coberto, para que essas emoções não possa perturbar os trabalhos da Loja e para que não influa na espiritualidade das sessões.
Cumprindo o tempo necessário ao seu aperfeiçoamento, o aprendiz chegará ao grau de Companheiro quando, já mais evoluído e apto a controlar as suas paixões, poderá usar a abeta abaixada.

A cor totalmente branca, que, como maçom, está convocado para o trabalho que visa a pureza, pode ser simbolicamente traduzida como a inocência do Aprendiz. Pureza da alma e das boas intenções de um maçom, como sendo um dos últimos depositários da moral, dentro de nossa sociedade moderna.

É um dos símbolos mais importantes da maçonaria, praticamente a parte principal do traje maçônico.
Entre todos os símbolos com que nos deparamos em loja, nessa infinidade de símbolos que devemos interpretar, entender e aplicar, notamos que o Avental se destaca entre os demais, pois sempre está junto de nós, significando que o maçom deve estar constantemente trabalhando em prol da humanidade.

Ele é de tal forma importante dentro do simbolismo que sabemos que muita coisa pode ser mudada em loja, – desde algum objeto, até o próprio ritual pode ser ligeiramente modificado numa determinada sessão, mas o Avental não muda. Não se pode entrar em loja sem ele vestido. Da mesma forma, “só se pode tirar o avental após encerrada a sessão”, e fora do recinto de trabalho. Por aí, sente-se a importância do símbolo.

Primeira insígnia recebida, símbolo maior de trabalho e indispensável em qualquer ato litúrgico.
Quando nos tornamos maçons, não estamos “nem nu, nem vestido” e sim “vestido com avental”, e assim devemos permanecer durante toda a jornada maçônica, livre de vaidades, ricos de pureza de intenções e sempre prontos ao trabalho.

O uso do Avental na maçonaria faz o maçom lembrar que o trabalho dignifica o homem, o faz progredir e evolui a sociedade de uma forma geral.

Todo maçom deve carregar o atributo do Avental mesmo após externar-se à loja, levando a prática do labor ao cotidiano. Desta forma, irá honrá-lo e aplicar seu propósito, a participação, enquanto indivíduo, de uma sociedade justa e perfeita.

O verdadeiro maçom não pode esquecer que a sua função na sociedade é de construtor social.

Ir.’. Marcelo Ueno

Bibliografia

Ritual do Grau de Aprendiz – Maçom do Rito Schroder
Carvalho, Assis – O Avental maçônico e outros estudos. Ed. “A Trolha”, 1997
WWW.maçonic.net
WWW.maçonaria.net